quarta-feira, 16 de abril de 2014

Das Gerais

Dia dando lugar a noite
Vento anunciando chuva
Nuvens desenhando no céu
Texturas, cores
uma única estrela refletindo luz
seu brilho não pisca
correndo o céu, um ciclo ao redor do sol
passando lentamente pelas constelações
ela está no meio de escorpião.
...
Acendendo o fogão
estalando a lenha
a piúca, o bambu, a candeia
cheiro bom na cozinha inteira
o aconchego do calor
bolo de passas, chá do quintal
lembrança da infância
nos céus, nas cozinhas
das Gerais.
 
Acerca da conjunção vênus-escorpião em 27/10/13

Caminho

 
 
 
 
 

Vale do Garrafão - Alagoa/MG
Foto: Rogério Entringer





Falo em repulsa àqueles que
por ganância ou procura
fundaram novas terras
àqueles que por desamor e egoísmo
separaram fronteiras

Falo em aflição às distâncias que
não conhecem os caminhos do coração
Em compaixão àqueles que
por território travaram guerras e
sacrificaram saudades

À besta fera que insiste em fazer-nos pensar
nas penúrias do mundo
e menos na natureza exalando a beleza
e a unidade

Na ilusão que faz delatar
a nossa distância
mesmo no quanto podes estar presente
ainda que eu não toque seu rosto
e num abraço ainda não encontramos
o mesmo caminho.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Instante e memória












Aquele conforto indizível
que traz o aconchego da casa
a sopa quente, o coração
tocam melodias dos tempos

Daquilo que pousa suave na memória
no calor materno
da infância bem nutrida
de um amor, irmãos

a vida se recria
através do calor de nossas mãos
dia a dia se refazendo
num amor macio
o mesmo pão.

terça-feira, 11 de março de 2014

Construções











Absorto em pensamentos
Pensamentos que pensam
em pensamentos
Como uma cobra que
morde o próprio rabo
num constante sem fim
Construo mil castelos
feitos de areia
incontáveis
Faço questão que sejam assim!
E deixo-os descobertos ao vento
para que os levem e desfaçam
grão a grão
espalhando em nuvens de poeira
desvanecendo construções
e os pensamentos vãos
do que fica permanece
edificado e solidado
meu centro e essa amplidão.




Conversas noturnas















Lancei mão das vontades
como cinzas sopradas aos quatro ventos
Alcancei breve o relâmpago
ao encontro de algum ponto alto
para unir o terreno às nuvens

Da janela, inúmeras estrelas cintilantes
céu aberto são vivos pontos gélidos
Aquecem aqui o meu coração
estrelas e labaredas
viventes nas lareiras

E contaram-me em segredo
o olhar o mundo com olhos de estrelas
aspirando ao mais elevado
agir cá embaixo

Acordei desnorteada
De que garantias à minha lucidez
deve conversar lá no alto?

.


Foto: Chadas Mirach Ustuntas.


segunda-feira, 3 de março de 2014

Trava Línguas

Macarrão, camarão, caramujo
Marramujo, caramão, macarrujo
Camarujo, caramujo, camarrão


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Efímera

 




Así que tanto más
se vive,
más se muere
todos los días.
 
 
Por la muerte de Paco de Lucía.