sábado, 25 de junho de 2016

Sobre fisiologias, e fenomenologias






Nuvens me abraçam.
É uma noite fria onde a lua espreita sozinha do alto céu
E gotas finas transpassam sua luz, em neblina e frescor...
É um tempo em que natureza inteira recolhe-se,
Galhos secam,
Brotos despontam nas pontas dos caules
 Como quem diz: ainda há esperança à vida.
A luz está na terra. A luz acende-se dentro.
Mantêm-se forte, acalenta o corpo,
E nutre-se desde as raízes
A diminuir as atividades
Quando há pouco estímulo lá fora.








Foto: Fonte desconhecida. Geada no sul de minas, inverno/2016

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Cotidiano






A sensação líquida
dos dias se esvaindo entre os dedos
nessa imensidão de sentimento
entender-se efêmera passagem
daqueles instantes que já escorregaram
pois recordação nenhuma é capaz de aprisionar
...amanhecer com o sorriso entremeado no meu sono
e toda a preguiça para nunca mais
deliciar-se em brincadeiras
tentar percorrer com a memória
as canções inventadas no cotidiano
e querer anotá-las
guardar toda a lembrança desse tempo imenso
mas, os pequenos pés já começaram a alcançar o chão...


domingo, 31 de janeiro de 2016

Pé de amigo






Antes de cair a noite
A tarde fecha o dia
Apaga a luz da lua
No canto, noite a dentro
Acende a vela, e brilha a vida
Esperança de alma encendida
Onde brincam as chamas
Onde descem ondinas
Águas de rio
Quem que aparece, sob a forma de menino
Com um dedo verde nas mãos?
Dente de leão
Floresceu soprando fada no final
Aparece e se desarma
Dançando com as flores no quintal.



Pintura: Isis Fernandino.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Canteiro













Vamos em frente
enfrentar essas ambições
e  pequenas traições
à duras penas, lições.
e o amor te ensina cada vez mais
que é para não perder a ternura jamais
canções de amor e luta,
que a vida só vai ter fim quando o samba acabar.
A bênção margarida
passou pela minha vida
rosa, gerânio e jasmim
vem, fazer da liberdade
a certeza brotando num jardim.

À Taiguara.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Entre-mundos







A recolher elementos
farejar o que não é palpável
onde as luzes piscam
transformando o olhar
uma vida inteira como lutar
atravessando fronteiras
tantas mortes e renascimentos
nesta época natalina
que também é bom lembrar.

Faz-se necessário o fluir das palavras
a percorrer o papel em branco
desenhar uma geografia
sem ser escuro e inerte como a morte
estrela matutina
um pensamento luminoso
a paz no meu amor
é o que faz viva a minha sorte
pois que não se pode andar morrendo pela vida.







quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Intrínseco









Preciso crer no que guardo
Mesmo que a aparente força da clausura
Insista em tempos maiores
Retomar o espaço do mistério
Sem fragilizar a sua existência
Sê-lo
E sublimá-lo em mim.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Suspiro




Não serei sua a despir-me farta de luar
Nem em tuas vielas caminharei
A calçar minha armada para não tocar a sólida estrada
Percorro com pés descalços os caminhos
E livro-me do peso inefável das vidas

Sei de certo
Onde habitarei nas salas e nas paredes de cristal
E até onde poderei ir, sem a bagagem alheia

Da vida nos ensina em real grandeza
De se caminhar nos sentimentos mudos de um coração
A lançar-se bem leve como a primavera e as cores.