sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Entre-mundos







A recolher elementos
farejar o que não é palpável
onde as luzes piscam
transformando o olhar
uma vida inteira como lutar
atravessando fronteiras
tantas mortes e renascimentos
nesta época natalina
que também é bom lembrar.

Faz-se necessário o fluir das palavras
a percorrer o papel em branco
desenhar uma geografia
sem ser escuro e inerte como a morte
estrela matutina
um pensamento luminoso
a paz no meu amor
é o que faz viva a minha sorte
pois que não se pode andar morrendo pela vida.







quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Intrínseco









Preciso crer no que guardo
Mesmo que a aparente força da clausura
Insista em tempos maiores
Retomar o espaço do mistério
Sem fragilizar a sua existência
Sê-lo
E sublimá-lo em mim.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Suspiro




Não serei sua a despir-me farta de luar
Nem em tuas vielas caminharei
A calçar minha armada para não tocar a sólida estrada
Percorro com pés descalços os caminhos
E livro-me do peso inefável das vidas

Sei de certo
Onde habitarei nas salas e nas paredes de cristal
E até onde poderei ir, sem a bagagem alheia

Da vida nos ensina em real grandeza
De se caminhar nos sentimentos mudos de um coração
A lançar-se bem leve como a primavera e as cores.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Cantarola infantil






Cantai vento amigo
Cantai passarinho
Em voz altiva, dançai também.

Cantai bela cantiga
Cantai indiozinho
Em voz altiva, dançai também.

Cantai alegre primavera
Cantai florezinhas
Em voz altiva, dançai também.

Cantai tempo e ritmo
Cantai menininho
Em voz altiva, dançai também..



segunda-feira, 13 de julho de 2015

Cerúleo




Era o vento soprando as nuvens,
o ar crescendo na altitude;
pensamentos de algodão.

Este céu em infinitude,
no pensar da vastidão que há dentro
no ato de descrever, de transcrever o simbólico.
E as imagens, antes de se tornarem turvas,
ser necessário alimentar consigo
tal qual esse jogo poético,
sobre a visão das coisas, nas formas do abstrato.

Desfazendo o nó da garganta:
rugir no ar.
Nesta caverna imensa,
nesta passagem tão simples,
de tudo menos banal.






sábado, 7 de março de 2015

Ínterim


Foto: Bárbara Vieira 




Saber-se inteiro, o amor
Em meio às dosagens
Ante a urgente necessidade
Entre prioridades e transformações

Emudeceu-me pelo fio do tempo
Os lábios sonolentos do amanhecer
A quem se entrega esperanças
Junto a um coração tranquilo

Adormecendo nos braços da saudade
O curto intervalo de encontro e despedida
Voltando às coisas nossas
A essas vidas que se querem companhias.




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Vital

Não há chances de parar
O abrir do dia
paralisar o momento da curva do sol
nestes entre-mundos
entre luz e sombra
as incertezas vagueiam como folhas ao vento
e ainda aqui estão os sonhos
despertos para a manhã
tão longe dos caminhos traçados
tão perto de chegar
e a espera não resiste
nas palavras vazias
nos ocos potes
que reduz-se ao nada
morre e desfaz nesta atividade da vida
quando se retira a vitalidade
e a matéria retorna à sua primária condição
disforme
inerte e mineralizada, como pedras silicatadas
ou pedras avermelhadas, cor de ferro
mas, se ainda existe a vida
este elemento vital, que cresce
que pode ser podado, mas retorna a brotar
e ainda, como o sangue nas veias
aquecido pelo fogo oculto
da experiência do sentido
no mistério da vida
recorro a mim mesma
para o inexplicável da existência
deste imponderável
que é o tempo e a vida,
das coisas vivas.
e não se reduzem às vontades
estes organismos complexos
que se auto recriam instante a instante
para a vida que rodeia
o importante e o real.
mas, para ela
nem mesmo a morte
nem mesmo ignorá-la.