terça-feira, 11 de março de 2014

Construções











Absorto em pensamentos
Pensamentos que pensam
em pensamentos
Como uma cobra que
morde o próprio rabo
num constante sem fim
Construo mil castelos
feitos de areia
incontáveis
Faço questão que sejam assim!
E deixo-os descobertos ao vento
para que os levem e desfaçam
grão a grão
espalhando em nuvens de poeira
desvanecendo construções
e os pensamentos vãos
do que fica permanece
edificado e solidado
meu centro e essa amplidão.




Conversas noturnas















Lancei mão das vontades
como cinzas sopradas aos quatro ventos
Alcancei breve o relâmpago
ao encontro de algum ponto alto
para unir o terreno às nuvens

Da janela, inúmeras estrelas cintilantes
céu aberto são vivos pontos gélidos
Aquecem aqui o meu coração
estrelas e labaredas
viventes nas lareiras

E contaram-me em segredo
o olhar o mundo com olhos de estrelas
aspirando ao mais elevado
agir cá embaixo

Acordei desnorteada
De que garantias à minha lucidez
deve conversar lá no alto?

.


Foto: Chadas Mirach Ustuntas.


segunda-feira, 3 de março de 2014

Trava Línguas

Macarrão, camarão, caramujo
Marramujo, caramão, macarrujo
Camarujo, caramujo, camarrão


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Efímera

 




Así que tanto más
se vive,
más se muere
todos los días.
 
 
Por la muerte de Paco de Lucía.




 
 
 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Inquietação

A sair da cama
Que me possuem as letras
As imagens e os pensamentos
Cravados na insônia
Na continuação daquilo
Que me prende em sentimento
Em entendimento do mundo
Pois que sem sentir, não se pode abarcar
Pois que do silêncio emerge
Aquilo que é primário
De que outra forma poderia ser?
Recorro àquilo que me persegue
Nos livros, na filosofia
Na vida
Diante do que me significa
Que edifica as paredes do imaginário
O mítico
Arquetípico
Eu me pergunto e vejo
Pelos olhos de dentro
Ainda que bem vivo.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Os enigmas

Lacrado, meticulosamente selado
a sete chaves, não revela
de todas as leis 
que a natureza pôde conceber
miseravelmente se consegue abarcar
e falado em silêncio
em preces noturnas
sussurram em uníssono
poesias e cânticos cerúleos
nos conventos, nos mosteiros
copiosamente
os passos vazios
nos amplos corredores
que o homem de certo perdeu
em labaredas, em cinzas
em fogueira
num tempo que sequer vivemos
a contradizer pagãos.


Foto: Ruinas, Biblioteca de Alexandria.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Da janela

Caixotes
Acendem e apagam luzes
Entre alturas
Antenas, vidros
...retas formas...
Não vos cabe a planura dos pastos
Nem em teu ultimo andar!
Nem podes ver a amplidão das estepes
Contidos, irresolutos, nulos
Suas plantas: plástico.
Seus contornos: retos.
Valei-me!
Que mente vos projetaram?
Destas calculistas, analistas?
Não vejo teu sentimento
Nem nas cores de tuas mulheres.

...vem vê que a lua já é plena
E da janela da mente que abres
Ela ainda vos clareia.